SPDH é a aposta da CCA para produzir melhor com menos impacto
- coomunica30
- 16 de abr.
- 3 min de leitura
O Sistema de Plantio Direto de Hortaliças é tema de Seminário para técnicos (as) agrícolas e dirigentes de cooperativas e assentamentos da reforma agrária em Catanduvas (SC)

Desde a última quarta-feira (15), a equipe técnica da Cooptrasc e os dirigentes de cooperativas e assentamentos da reforma agrária se reúnem no Centro de Formação Olga Benário, em Catanduvas (SC), para o Seminário SPDH (Sistema de Plantio Direto de Hortaliças). Eles serão responsáveis pela implementação do projeto proposto pela CCA por meio de um termo de fomento com o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar).
A iniciativa viabiliza assessoria técnica e a transição do modelo convencional de produção — marcado pelo uso intensivo do solo e pela dependência de insumos químicos — para sistemas mais sustentáveis, baseados em conhecimento técnico, bioinsumos e aumento da resiliência produtiva.
Entre as ações previstas estão os diagnósticos nas unidades de produção, as visitas técnicas e a implantação de áreas demonstrativas. O projeto deve atender diretamente 400 famílias assentadas em Santa Catarina.
SPDH: produzir mais com menos impacto
O Sistema de Plantio Direto em Hortaliças (SPDH) é uma técnica de cultivo que se baseia em não revolver o solo, mantendo-o sempre coberto com palhada e rotação de culturas. Desenvolvido principalmente pela Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), o sistema contribui para a conservação do solo, a redução do uso de insumos químicos e o aumento da produtividade.
Na prática, o SPDH permite produzir mais em menos área, com maior sanidade das plantas e menor incidência de pragas e doenças. O representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Catarina (FETRAF-SC), Rodrigo Preis, esteve presente no seminário de quarta-feira, e destacou os impactos positivos da técnica:
“O agricultor não precisa mais produzir em grandes áreas para ter produtividade. Ele consegue produzir mais em menos espaço, com mais sanidade, o que facilita o manejo, o armazenamento e até a comercialização.”
Autonomia e melhoria na comercialização
Segundo Preis, a melhoria na qualidade da produção também impacta diretamente a capacidade de armazenamento dos alimentos, que permite ao produtor mais autonomia para lidar com as oscilações de mercado.
“Se o produto não está doente e é menos suscetível a pragas, ele pode ser armazenado por mais tempo. Isso permite que o agricultor escolha melhor o momento de venda, sem precisar comercializar imediatamente após a colheita.”
Preis trouxe a experiência da FETRAF-SC e explicou como o SPDH foi útil na recente crise da cebola. Em fevereiro deste ano, muitos produtores decretaram situação de emergência quando uma supersafra fez cair os preços abaixo do custo de produção. Nesses caso, o SPDH surgiu como uma resposta estrutural aos limites do modelo convencional. Ao melhorar a sanidade da produção e ampliar a capacidade de armazenamento, o produtor pode estocar as cebolas até a alta do preço.
A técnica de plantio direto é vantajosa também porque otimiza o trabalho do produtor. Para a agrônoma, Maria Gabriela Kirsch, que atua com o programa Ater Bem Viver em Rio Negrinho, plantar mais em menos espaço é qualidade de vida e “tempo para viver além do trabalho”.
Além da produtividade, o SPDH usa os recursos naturais com responsabilidade, reduz a dependência de químicos, protege o solo e é bastante resiliente às mudanças climáticas. O vice-presidente da CCA, Lucídio Ravanello, destacou a importância do acesso ao conhecimento científico alinhado à sustentabilidade. O SPDH traz inovação com responsabilidade ecológica para melhorar a produção e a qualidade de vida do trabalhador.



